25/10/2011

Cooperação Internacional entre instituições de pesquisa:Seu papel na melhoria das condições de vida dos povos

Senhor Ministro da Saúde;


Senhor Presidente do Conselho da Rede INDEPTH;

Senhor Presidente da Fundação Manhiça;

Senhores Membros do Conselho de Ministros;

Ilustres Chefes das Missões Diplomáticas

e Consulares e Representantes de Organizações Regionais e Internacionais;

Senhora Governadora da Cidade de Maputo;

Senhor Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo;

Senhor Director Executivo da Rede INDEPTH;

Senhor Presidente do Conselho de Administração da Fundação Manhiça;

Estimados Investigadores dos Centros de Pesquisa membros da Rede INDEPTH;

Distintos Convidados;

Minhas Senhoras e Meus Senhores.

É com muito júbilo que endereçamos as nossas mais calorosas boas vindas a todos os presentes e, em particular, aos cerca de 300 cientistas que aqui se encontram, em representação de 42 centros de pesquisa de África, da Ásia e da Oceânia. Saudamos a decisão de escolha de Maputo, nossa cidade capital, para berço das decisões da Décima Primeira Conferência Científica da Rede INDEPTH.

Dirigimos uma palavra de admiração e de apreço aos nossos ilustres cientistas por aquilo que têm feito em prol da Humanidade. Com profissionalismo, paixão e humanismo, despendem horas a fio a buscar respostas:

 para salvar vidas;

 para prevenir doenças; e

 para restaurar a esperança de mais anos de vida a homens e mulheres deste planeta.

Este evento é enriquecido pela diversidade de representatividade dos cientistas, quer em termos de nacionalidade, quer em termos de geração quer ainda em termos de experiências dos participantes. Esta é uma realidade que nos agrada, sobremaneira, pois nesta diversidade estão irmanados pelo bem servir à sociedade, a força que vos move para aprenderem uns dos outros, sempre e todos os dias.
Minhas Senhoras e Meus Senhores

Vivemos num mundo globalizado, caracterizado por uma intensa interdependência entre Estados e pela complementaridade das economias. Os avanços tecnológicos e os que se registam na área das tecnologias de informação e comunicação têm um impacto directo nas nossas vidas. Com efeito, estes avanços:

 Tornam as comunicações entre cidadãos mais fáceis e em tempo real;

 Fazem com que a circulação de pessoas e bens seja mais rápida; e

 Induzem reduções drásticas nos custos de viagens.

Estes desenvolvimentos trazem novos desafios para os profissionais de saúde e para os investigadores de doenças. Um destes desafios tem a ver com a facilidade de propagação de doenças. Uma doença que no passado precisaria de meses ou mesmo de anos para viajar de uma região do globo para a outra, hoje só precisa de horas ou de dias. Por isso, neste mundo globalizado e interdependente, os problemas de saúde de uns países podem facilmente se transformar em problemas de saúde de outros países. A resposta a estes desafios é o estreitamento da cooperação entre os vários países e entre os seus pesquisadores e pessoal médico.

Por isso, apraz-nos registar que a Rede Internacional para a Contínua Avaliação Demográfica da População e da sua Saúde, cuja cerimónia de abertura temos a honra de presidir seja um exemplo dessa cooperação inter-institucional. Este é um exemplo louvável que demonstra como instituições de diferentes partes do globo podem desenvolver uma cooperação profícua e mutuamente vantajosa e com impacto na melhoria das condições de vida dos nossos povos. Na verdade, nesta rede:

 são partilhados resultados e experiências de pesquisa;

 são conjugadas sinergias e rentabilizados recursos; e

 são criadas condições para contacto com a realidade em que os diferentes cientistas e pessoal médico, membros desta rede, operam.

Têm, pois, mais uma oportunidade para reafirmarem o vosso compromisso de juntos continuarem a trabalhar para o bem da Humanidade. Apraz-nos notar e saudar a vossa valiosa contribuição na busca, em parceria com os nossos governos, de soluções e intervenções concebidas a partir desses sistemas de vigilância demográfica para a saúde pública. Saudamos ainda a vossa incomensurável contribuição para a compreensão do comportamento de epidemias e para a testagem de intervenções para a sua prevenção e combate, custo-eficazes, para os nossos sistemas de saúde.

Por isso, graças à cooperação que desenvolvem, registam maiores sucessos ainda nos trabalhos que realizam na identificação de doenças que causam maior preocupação aos nossos governos e aos nossos povos bem como na determinação do seu peso no sistema de saúde. Com apoio da pesquisa apresentam, deste modo, propostas melhor informadas e argumentadas sobre as medidas a tomar para o controle e combate dessas doenças. Os resultados que advêm desta cooperação inter-institucional adensam, assim, a nossa convicção de que estamos perante uma plataforma indispensável e fundamental para que as nossas intervenções na área da saúde pública sejam sempre proactivas, eficientes e eficazes.

O percurso de treze anos de vida desta associação trouxe-vos muitas lições. Ao longo destes anos foram aprimorando metodologias de recolha, tratamento e interpretação de dados. Reconhecemos que ainda há desafios mas o facto de estarem a cooperar na produção e publicação de novos resultados, para que sirvam de alicerce à tomada de decisão em matérias de Saúde Pública é um indicativo de que estão dispostos a superar esses desafios. Uma das provas dessa vossa entrega para a superação desses desafios encontra-se no lema desta conferência QUE NÓS CITAMOS “aumentando a produtividade e utilização de dados dos sistemas de saúde e de vigilância demográfica para a saúde pública em países em via de desenvolvimento”.

FIM DA CITAÇÃO.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

O nosso Governo definiu e está a implementar a Agenda Nacional de Luta Contra a Pobreza rumo à criação do nosso bem-estar. As doenças criam enormes dificuldades para a implementação desta agenda. Com efeito, elas, as doenças portanto, têm custado ao Estado avultadas somas monetárias que, de outro modo, seriam canalizadas para áreas como a de prevenção dessas mesmas doenças e de mortes preveníveis.

São recursos que também poderiam reforçar a nossa capacidade de dotar unidades sanitárias de pessoal formado, como poderiam ainda ser usados para melhorar a rede escolar e de abastecimento de água.

Do ponto de vista económico as doenças interferem com o sector produtivo ao provocar o absentismo, a falta de pontualidade e de assiduidade bem como a baixa produtividade. Mais grave ainda, é o facto de algumas dessas doenças causarem o sofrimento prolongado dos pacientes e a angústia dos seus familiares.

Identificadas as doenças como obstáculos à implementação da nossa agenda de luta contra a pobreza, lançámos várias iniciativas de carácter multiforme e multisectorial. Para o mesmo tecto juntaram-se ao Governo, a sociedade civil, os parceiros de desenvolvimento e personalidades nacionais eminentes para reflectirem e proporem soluções para os desafios em presença. Neste contexto e a título de exemplo:

 Lançámos a Iniciativa de Saúde Materno-Infantil, para reverter o cenário de óbitos de mulheres durante a gravidez e parto e de crianças com menos de 5 anos de idade;

 Lançámos a Iniciativa de Saneamento do Meio e Promoção de Higiene, como forma de reduzir a incidência de doenças endémicas ou cíclicas como são os casos da malária e da cólera; e

 Lançámos a campanha de sensibilização e de luta contra a pandemia do HIV e SIDA e expandimos a rede para o tratamento Anti-retroviral.

Por outro lado, reduzimos as distâncias entre os locais de concentração populacional e as unidades sanitárias. Foram, assim, abertas e apetrechadas mais unidades sanitárias. Ainda no mesmo contexto, aumentamos a nossa capacidade de formação e hoje temos mais pessoal de saúde perto das nossas comunidades.

No seu conjunto, estas acções têm um único propósito: evitar a perda de vidas humanas por doenças preveníveis!
Distintos Cientistas,

Endereçamos as nossas felicitações ao Centro de Investigação em Saúde da Manhiça pela organização desta conferência científica em parceria com Rede INDEPHT. A todos aqueles que se juntaram a esta louvável iniciativa vão os nossos agradecimentos. Uma saudação especial vai para o Reino da Espanha e para todos os outros parceiros pelo seu reiterado apoio ao Centro de Investigação em Saúde da Manhiça.

Trata-se de uma das instituições nacionais que tem desempenhado um papel de grande relevo na busca de soluções para os problemas de saúde em Moçambique e para o mundo. Através dos seus sistemas de vigilância demográfica e de saúde, o Centro de Investigação em Saúde da Manhiça tem produzido ferramentas importantes de prevenção e tratamento de doenças mais frequentes.

Convictos de que cada um dos participantes irá dar a sua melhor contribuição para o sucesso deste evento, e das etapas subsequentes, temos a honra de declarar aberta a Décima Primeira Conferência Científica da Rede INDEPHT.


Muito obrigado pela vossa atenção!

 
Comunicação de Sua Excelência Armando Emílio Guebuza, Presidente da República de Moçambique, por ocasiao da abertura sa XI Conferência Científica da rede INDEPTH  (International Network for Continuos Demographic Evaluation of Population  and Their Health)

24/10/2011

MARINHA MERCANTE:Seu potencial para aproximar Moçambique e Noruega

Senhor Ministro dos Transportes e Comunicações;



Senhores Membros do Conselho de Ministros;


Senhores Vice-Ministros;


Senhora Governadora da Cidade de Maputo;


Senhor Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo;


Senhor Presidente do Conselho de Administração da Empresa Caminhos de Ferro de Moçambique;


Distinta Embaixadora do Reino da Noruega;


Ilustres Chefes das Missões Diplomáticas e Consulares;


Distintos empresários;


Minhas Senhoras e Meus Senhores.


Estamos em crer que o baptismo, amanhã, do navio norueguês com o nome Hoeg Maputo, é um pequeno e singelo gesto em sí que, ao mesmo tempo, está carregado de simbolismo transcendental e significado profundo, no contexto das relações de amizade, solidariedade e cooperação entre a República de Moçambique e o Reino da Noruega. Os nossos povos lançaram a semente destas excelentes relações durante a nossa Luta de Libertação Nacional.


Nessa altura, o Reino da Noruega tomou a decisão de dar apoio multiforme ao nosso movimento de libertação e reconhecer-lhe como legítimo representante das aspirações do nosso Povo, sob dominação estrangeira.

Estas relações viriam a ganhar um maior ímpeto, depois da nossa Independência Nacional, com vários programas de apoio à reconstrução nacional e ao desenvolvimento da nossa Pátria Amada. Na área da Marinha Mercante, o apoio do Reino da Noruega foi fundamental para a operacionalização dos serviços de cabotagem, tendo, neste contexto, contribuído para a formação e afirmação da empresa Navique. O Reino da Noruega deu-nos um valioso apoio para o estabelecimento da Escola Náutica e para a operacionalização dos serviços de hidrografia marítima, através do Instituto Nacional de Hidrografia e Navegação.

Graças a esse apoio nestas diferentes áreas da nossa marinha mercante, temos muitos quadros moçambicanos formados e a darem a sua contribuição para o desenvolvimento deste sector. Além desses quadros, a parceria entre o Governo de Moçambique e o Reino da Noruega abriu espaço para a participação do sector privado em importantes áreas da nossa economia.

Por isso, a cerimónia de baptismo do navio, amanhã, tem o condão de lançar uma nova semente, que, na fertilidade gerada pelas nossas excelentes relações político-diplomáticas, tem grandes possibilidades de brotar robusta para se transformar numa frondosa árvore, na sombra da qual as nossas relações no sector da marinha mercante vão certamente florescer. A experiência norueguesa nesta área é milenar e é reconhecida em todos os quadrantes do mundo.

Hoje, esta indústria e os serviços navais agigantaram-se para se colocarem ao lado do petróleo e do gás como promotores do desenvolvimento do vosso belo País e do reforço das relações com outros países do mundo, incluindo o nosso.

Minhas Senhoras e Meus Senhores

A nossa posição geográfica, que nos coloca como uma idílica varanda do Índico, e os mais de 2 700 quilómetros de linha de costa e as nossas abundantes águas interiores constituem uma base fundamental para o desenvolvimento da marinha mercante, quer seja no âmbito marítimo, quer seja no âmbito fluvial quer seja ainda no âmbito lacustre. Por isso, nós temos o potencial para a prosperidade de uma indústria e serviços navais para a marinha mercante, nas suas diferentes vertentes, dimensões e áreas transversais.

Temos assim condições para o desenvolvimento da indústria de transporte de passageiros e carga ao longo da costa, nos lagos e nos rios que sulcam esta Pérola do Índico. Neste quadro, a marinha mercante tem um papel fundamental para a redução dos preços de transacção de bens e serviços para o nosso Povo e para uma grande parte dos povos dos países vizinhos.

Na marinha de pesca buscamos parte das soluções para os nossos problemas de fome e de melhoria da dieta alimentar.

O nosso potencial nesta área é enorme não só para resolver problemas nutricionais como também para gerar mais postos de trabalho e renda para muitos dos nossos compatriotas.

No mar temos igualmente recursos indutores do aumento das nossas exportações que muito contribuem para o equilíbrio da nossa balança comercial e para divulgar o nome desta Pérola do Índico noutras partes do mundo, através dos nossos produtos.

A nossa costa, salpicada de ilhas paradisíacas, tem um enorme potencial para o desenvolvimento do turismo, nas suas mais variadas formas. Destaque vai aqui para a indústria de cruzeiros, para o desporto náutico e para as outras actividades recreativas e de lazer que podem impulsionar, mais ainda, as indústrias culturais, a hotelaria e outros serviços, incluindo os da área de transportes aéreos e terrestres.

Queremos recordar à ilustre audiência que a distância que separa as nossas praias, de águas mornas, dos parques e reservas é muito curta: nem a televisão de alta definição pode substituir a experiência, em primeira mão, de contemplar a nossa fauna bravia!

Dada a rede de outros serviços de apoio à marinha mercante, entre eles a autoridade marítima, a formação náutica, as operações ferro-portuárias e a investigação marinha, ela, a marinha mercante, portanto, dinamiza muitos outros sectores de actividade. Promove, assim, a criação de oportunidades de negócio e emprego que não se situam apenas ao longo da nossa costa, nas muitas ilhas, nas nossas águas territoriais, e nas águas interiores mas também noutros sectores de actividade e no interior desta Pérola do Indico.


Minhas Senhoras e Meus Senhores

Em reconhecimento do nosso potencial neste sector, definimos como prioridade o seu fortalecimento, com incidência para a reactivação da cabotagem costeira tendo em vista facilitar o abastecimento do nosso Povo em bens essenciais e contribuir para a comercialização agrícola e de outros produtos, bem como para o transporte de insumos. Temos igualmente estado a proceder à reabilitação dos portos e caminhos-de-ferro e a melhorar a qualidade de outros serviços de apoio à marinha mercante.

Temos ainda estado a impulsionar o sistema intermodal de transporte para facilitar a circulação de pessoas e bens.

É na melhoria da nossa prestação nesta área que enquadramos a cerimónia de baptismo, amanhã, do navio norueguês, com um nome moçambicano. Neste quadro, acreditamos que existe uma grande possibilidade de combinar a experiência milenar de navegação e de indústria naval do Reino da Noruega com o potencial para o investimento na nossa costa e águas interiores.

Este potencial de investimento cresce, mais ainda, se tivermos em conta, as excelentes relações de amizade, solidariedade e cooperação entre os nossos dois países e as novas oportunidades que são criadas pela indústria extractiva, particularmente a mineira.

Esperamos pois que a cerimónia que tem lugar amanhã seja por todos nós vista como uma janela de oportunidade para o reforço e diversificação da cooperação entre os nossos dois países, contando, neste caso particular, com a activa participação do sector privado.


Aliás, a marinha mercante demonstra como não há países distantes, uns dos outros, quando a vontade e a determinação de desenvolverem uma cooperação estreita é muito forte, como no caso de Moçambique e da Noruega.



Muito obrigado pela vossa atenção.



 
(Comunicação de Sua Excelência Armando Emílio Guebuza, Presidente da República de Moçambique, no jantar organizado para os empresários convidados ao baptismo do navio Hoeg Maputo)

23/09/2011

HIV e SIDA: O que mais pode a juventude fazer para combater este flagelo?

Uma vez mais é um prazer enorme interagir com os internautas e com os jovens, em particular, para tratar de assuntos que nos preocupam como moçambicanos. Ficamos impressionados com a determinação dos nossos jovens em serem heróis da nossa libertação da pobreza. Lemos isso, e com muito orgulho nos links que estabeleceram com o nosso blog.


Desta vez queremos abordar os desafios que o HIV e SIDA nos impõe, como Nação, e à nossa juventude, o outro nome do nosso futuro, como sublinhámos em intervenções anteriores. Hoje, mais de 350 mil jovens moçambicanos vivem com o HIV e SIDA. Entre os jovens, um particular destaque vai para o facto de maior parte das infecções ser entre as mulheres que são mais vulneráveis, como resultado do desiquilíbrio nas relações de género, a persistência de comportamentos de risco, o início precoce da actividade sexual, o acesso limitado aos serviços básicos de saúde e à informação sobre o HIV e SIDA.


Em Moçambique os jovens são o recurso mais importante para levarmos a pobreza de vencida pois, constituem a maioria do nosso maravilhoso Povo. São também os jovens que constituem a maioria em todos os sectores da vida social e económica na nossa Pátria Amada. No entanto, o SIDA revela-se como uma ameaça à realização deste nosso desiderato colectivo de vencer a pobreza porque não permite que parte dos nossos jovens realize o seu potencial.


Esta é uma inquietação que gostaríamos de partilhar convosco, caros internautas, e com os nossos jovens em particular. Para além disso temos outras quatro questões que nos intrigam:


1. Porque é que alguns dos jovens que sabem como se transmite o HIV e SIDA ainda continuam a ser vítimas deste vírus mortífero?


2. Porque é que sabendo que a detecção precoce pode levar o pessoal da saúde a ter mais sucessos na contenção da doença, nem todos adiram ao teste?


3. Porque é que quando alguns jovens descobrem que estão infectados não recorrem ao aconselhamento?


4. Porque é que o resultado das campanhas, entre jovens e adultos, sobre o perigo desta doença está abaixo das nossas expectivas?


Queremos deixar uma palavra de gratidão e de encorajamento aos jovens que realizam trabalho na área da prevenção e do combate ao HIV e SIDA e aos que dão amparo aos afectados e infectos pelo vírus. Estão a realizar uma tarefa nobre e louvável para Moçambique e para o seu Povo heróico.


Para terminar voltamos à nossa pergunta inicial: O que mais pode a juventude fazer para combater este flagelo no seu seio e no seio da sociedade moçambicana?


Gostaríamos de convidar-vos para mais esta reflexão.



Armando Emílio Guebuza

(Presidente da República de Moçambique)

01/07/2011

JUVENTUDE: O Outro Nome do Nosso Futuro

Sua Majestade;

Sua Excelência Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, Presidente da República da Guiné-Equatorial e Presidente em Exercício da União Africana;
Suas Excelências Senhores Chefes de Estado e de Governo;
Senhores Chefes de Delegação;
Senhor Presidente da Comissão da União Africana;
Senhores Antigos Chefes de Estado;
Distintos Representantes de Organizações regionais e Internacionais;
Minhas Senhoras e Meus Senhores.

Caros jovens


Associamo-nos aos oradores que nos precederam para agradecer a amável hospitalidade que nos tem sido proporcionada pelo nosso irmão, o Presidente Mbasongo, pelo Povo e pelo Governo da República da Guiné Equatorial, desde a nossa chegada a esta bela Cidade de Malabo. Expressamos-lhe, Senhor Presidente, as nossas felicitações pela sua dedicação na condução dos destinos da nossa organização continental.

Os vários instrumentos legais e plataformas políticas a nível dos nossos países e a nível continental, com enfoque na juventude e ancorados no nosso permanente desiderato de investir no seu desenvolvimento, atestam a prioridade que damos a esta camada da nossa sociedade. Na verdade, não podemos conceber uma Nação com outra opção que não seja esta, uma Nação que queira prevaricar no investimento na sua juventude pois, a juventude é, sem dúvida, o outro nome do futuro. É nela e através dela que a sociedade se reproduz, se renova e se consolida como comunidade com comunhão de destino, para enfrentar os desafios do presente e do futuro. A questão, pois, não é se fazemos algo ou não para a nossa juventude. A questão é, isso sim, equacionar formas de fazer mais e melhor  que temos vindo a realizar em prol da nossa juventude.

Iremos ilustrar os desafios em presença pegando num sector, o da educação, frequentado maioritariamente por jovens e tendo outros jovens como docentes e pessoal administrativo. Aliás, são também os jovens que estão na vanguarda do domínio das tecnologias de informação e comunicação que se encontram hoje no epicentro da massificação das oportunidades de acesso ao conhecimento. São também os jovens que lideram os processos de inovação e pesquisa.

As nossas nações têm estado a registar sucesso na expansão da rede escolar e na democratização do acesso ao ensino. Porém, interpela-nos a dificuldade de operar, com celeridade, as necessárias transformações curriculares para que a maioria das nossas instituições de ensino não continue a ser incubadora de futuros desempregados. Urge, pois, transformar as nossas instituições de ensino em verdadeiros centros de preparação de homens e mulheres determinados a fazerem a sua parte na superação dos múltiplos desafios da actualidade.

O nosso ensino deve ser mais competitivo, de modo a produzir graduados com alto grau de empregabilidade, que possam disputar as ofertas de emprego dentro e fora dos seus países de origem, tirando vantagens do processo de integração regional e continental e da globalização. Importa, por outro lado, que exploremos, de forma mais eficiente, o potencial que o advento das tecnologias de informação e comunicação encerra para a concepção e criação de novas profissões, as profissões do século XXI.

Transformar as instituições de ensino em incubadoras do desenvolvimento não é, todavia, o maior desafio que temos pela frente. O nosso maior desafio tem a ver com as mudanças que os jovens devem operar, dentro de si próprios, reencontrando-se com a sua auto-estima e despertando o seu espírito empreendedor. Nesta mudança de atitude descobrirão o paradoxo de haver desempregados à sua volta quando as suas comunidades estão a braços com problemas de insegurança alimentar, havendo muita terra por lavrar para produzir alimentos. Descobrirão o paradoxo da pobreza num contexto de muitos recursos ao seu redor, recursos esses com o potencial de transformar as suas vidas e gerar empregos para outros seus compatriotas.

Senhor moderador
Minhas Senhoras e Meus Senhores

O nosso entendimento do lugar e papel da juventude na Nação Moçambicana está contido na sábia expressão “Juventude, seiva da Nação”. Trata-se da célebre expressão do nosso saudoso Presidente Samora Machel, cujo ano de 2011 lhe dedicamos pelos 25 anos desde o seu assassinato pelo regime do Apartheid nas colinas de Mbuzini, do lado sul-africano.

A seiva circula por toda a planta, levando nutrientes que lhe asseguram um crescimento saudável. Por analogia, a juventude leva a sua energia, o seu dinamismo e a sua vitalidade para todas as frentes da intervenção humana: a educação, a saúde, a ciência, a tecnologia, o desporto, a cultura, a política, a governação e a garantia da segurança pública e defesa da pátria e da sua integridade territorial.

A qualidade da seiva depende da qualidade dos nutrientes que a planta absorver do solo. De igual modo, a qualidade da intervenção da nossa juventude será determinada pelo investimento que para ela direccionarmos. Tal investimento situa-se na esfera do sistema de valores, tais como a Unidade Nacional, a Cultura de Paz e a Auto-estima bem como a sua aversão à resignação à pobreza. São ainda o amor ao próximo, o respeito pela vida humana, pela promoção da liberdade de expressão, pela emancipação da mulher e pela democracia multipartidária.

A promoção do orgulho pela nossa história e feitos bem como a valorização da nossa cultura e artes permeia as nossas acções de governação. Neste contexto, e a título de exemplo, temos realizado bienalmente, os jogos escolares e o festival nacional de cultura, eventos que são acolhidos de forma rotativa pelas nossas 11 províncias. A instituição do serviço cívico, em complemento ao serviço militar obrigatório, também contribui para incutir estes valores nobres que nos caracterizam como um Povo.

Temos estado a operar mudanças profundas no nosso sistema de educação. O objectivo é fazer da escola um agente de transformação que estimula uma maior exploração dos recursos locais para a melhoria das condições de vida da própria escola  da comunidade. É nestas escolas profissionais e profissionalizantes que os alunos adquirem habilidades que lhes permitam vencer no mercado do trabalho bem como criar o seu próprio emprego e empregar outros moçambicanos.

Ainda neste quadro, destaque vai para os sete milhões de meticais, cerca de 300 mil dólares americanos, alocados anualmente aos distritos rurais e às zonas urbanas que têm em vista produzir mais comida e gerar mais postos de trabalho. No contexto da nossa Presidência Aberta e Inclusiva que nos leva, por um período de cerca de três meses, a escalar anualmente as unidades mais pequenas da divisão administrativa do nosso País, temos entrado em contacto com os resultados produzidos por estes recursos e outros fundos descentralizados, incluindo o Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis.

Por outro lado, temos estado a encorajar e a apoiar iniciativas dos próprios jovens. Neste quadro, destacamos a iniciativa “férias desenvolvendo o Distrito” que consiste em os jovens universitários passarem as suas férias nas zonas rurais onde participam com o seu conhecimento na solução dos problemas daquelas zonas e na prospecção de oportunidade de emprego para o futuro.

O governo estimula e encoraja a formação de organizações juvenis, pois elas constituem plataformas de intercâmbio de ideias entre jovens. Estas organizações juvenis, muitas delas filiadas no Conselho Nacional da Juventude, são também veículos estruturados de transmissão das preocupações, propostas e aconselhamentos dos jovens ao Governo. Estimamos ainda que essas organizações são uma escola de cristalização da consciência de moçambicanidade bem como de aprendizagem de democracia e de exercício de direitos de cidadania.

Caros pares

Alguns de nós, líderes de hoje, fomos, algumas décadas atrás, mais jovens do que somos hoje. Nessa altura tivemos sonhos, vivemos a êxtase de tudo querer fazer em tão pouco tempo. Experimentamos a impaciência e o impulso de querer agir sem restrições, de querer reinventar o mundo! Por vezes, encaramos os nossos pais, os nossos mais velhos como entraves à libertação das nossas energias. Todavia, cedo descobrimos que o verdadeiro obstáculo à realização dos nossos sonhos era o colonialismo. Assim, as nossas energias e determinação, a nossa coragem cristalizaram-se em torno de um ideal maior que era o de libertação. Articulamos e estruturamos as nossas frustrações e revindicações em torno deste projecto. Porque não fomos pioneiros no nosso sonho de liberdade e soberania, pudemos aprender e tirar lições das experiências dos que nos precederam. Uma dessas lições foi a de que a falta de unidade do nosso povo havia inviabilizado o triunfo da luta dos nossos antepassados. A partir desta constatação, Compreendemos que o segredo da vitória devia construir-se em torno da criação de uma parceria nacional forte alicerçada na Unidade Nacional. Assim jovens e adultos de diferentes regiões do país, credos e raças abraçaram-se para esta epopeia de libertação. Cada um trouxe para esta parceria o melhor de si. Sobretudo, a confiança na vitória, construída por nós próprios. Foi esta parceria que nos permitiu vencer em 13 anos um colonialismo que se enraizara em Moçambique por cinco séculos.

Por isso, a nossa mensagem para os jovens moçambicanos e de toda a Mãe-África é: assumam a pobreza, um obstáculo à realização plena da nossa dignidade, como o desafio da actualidade, como um desafio vencível. Somos todos chamados a fazer convergir todas nossas forças em torno de uma parceria destemida, uma verdadeira parceria de gerações para erradicarmos este mal.

Como a experiência nos ensina é na unidade das diferentes gerações que se vencem os grandes obstáculos. Da História aprendemos que nenhuma geração se desenvolveu vilipendiando ou menosprezando outras gerações. É nesta parceria que a impaciência se tempera com o realismo. A espontaneidade com a ponderação, a velocidade com a moderação. É nesta parceria que se insufla esperança onde há desespero, se repõe a confiança onde há incerteza. É nesta parceria que se aprimora a auto superação e em uníssono todas as gerações gritam bem alto: contra a pobreza e pelo nosso bem-estar.

A Luta Continua.
Muito obrigado pela vossa atenção.


(Comunicação de Sua Excelência Armando Emílio Guebuza, Presidente da República de Moçambique, na XVII Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana no tema sobre Juventude - Malabo, 30 de Junho de 2011)

24/05/2011

Jovem moçambicano: Dono, promotor e defensor da sua própria biografia

Jovem moçambicano: Dono, promotor e defensor da sua própria biografia

Gostaríamos de começar por inscrever a nossa expressão de gratidão pelos comentários tecidos à volta do tema anterior. Concordamos com os internautas que defendem que as nossas línguas, erradamente rotuladas por algumas pessoas de dialectos, têm o mesmo poder comunicacional que a língua oficial, o português. Na verdade, elas são esteios da nossa matriz identitária e são fonte permanente da nossa auto-estima. Mais ainda, através delas a mulher, como sublinha um blogista, “efectivamente participa na vida social e política” nos conselhos consultivos, nas associações e na promoção de uma governação aberta e inclusiva, enfim, em todas as esferas da vida da Nação Moçambicana.
Também concordamos com a necessidade de intensificarmos o trabalho para diminuir “os índices de abandono precoce das raparigas [da escola] causado por questões diversas” como propõe outro participante neste debate. A formação engaja a mulher no processo de “emancipação mental”, para usar uma expressão que aprendemos neste blog, e abre espaço para ela, como dizia um outro interveniente, “livrar-se de determinadas amarras e participar neste desiderato colectivo”, de lutar para vencer a pobreza em Moçambique. É verdade que “precisamos de modelos [isto é referências]” como sublinha outro internauta, que, quanto a nós, emergem necessariamente das várias frentes de luta contra este flagelo. Reafirmamos o nosso compromisso de continuarmos a promover e a alargar os espaços para a participação da mulher na sua própria emancipação. Por isso, convidamo-la a tomar parte mais activa nos debates neste blog.
Uma vez mais, muito obrigado pelas vossas contribuições e lições. Entramos agora no próximo tema.
Há coisas que nos impressionam na nossa interacção convosco, caros jovens, nas localidades, postos administrativos e distritos, vilas e cidades, no contexto da Presidência Aberta e Inclusiva, nas vossas intervenções públicas nos comícios, na comunicação social e nas redes sociais como este blog: uma delas é a vossa capacidade de serem donos das vossas próprias biografias, de serem e sentirem-se dignos filhos desta Pátria de Heróis. Esta vossa atitude e prontidão adensam a nossa certeza de que estão conscientes do vosso papel na actualidade e, por isso, sabem identificar os desafios, desenhar soluções para os superar e empenhar-se na sua materialização.
Impressiona-nos também a vossa entrega pela defesa e promoção dos valores nobres que nos caracterizam como um Povo muito especial, o maravilhoso Povo Moçambicano. Continuem empenhados em fazer a vossa parte para a implementação, com sucesso e celeridade, da nossa Agenda Nacional de Luta contra a Pobreza. Continuem a ser exemplo que vai inspirar aqueles que ainda pensam que não é possível vencer a pobreza em Moçambique, uma réplica, mutatis mutandis, daqueles que pensavam que, depois de se enraizar por cinco séculos em Moçambique, não seria possível derrotar o colonialismo, um sistema apoiado por uma sofisticada máquina de repressão e por regimes que estavam contra a nossa liberdade e independência. Em 13 anos de Luta de Libertação Nacional a nossa causa triunfou e a emocionante e irrepetível independência foi por nós proclamada. À pobreza, temos certeza plena, daremos o mesmo destino, com o nosso génio e mãos dextras!
Orgulhamo-nos de ter jovens que sonham e lutam, com perseverança, denodo e inteligência, para realizarem esse seu sonho e o nosso sonho colectivo de um Moçambique próspero, unido sempre em paz e com crescente prestígio no concerto das nações. Orgulhamo-nos de ter jovens que percebem que o mito de vida fácil que os pode seduzir e fascinar não é real. Que real é o que resulta do trabalho e da entrega de todos e de cada um de nós.
Há um outro aspecto que nos preocupa: uma combinação de factores internos e externos estão a criar-vos, caros jovens, uma situação muito difícil que também afecta todo o nosso maravilhoso Povo. É com enorme satisfação que registamos o vosso empenho na promoção da cultura de trabalho, da paz social bem como da produção e da produtividade como respostas acertadas para mitigar o impacto da crise internacional sobre cada um de nós. Apraz-nos registar igualmente a vossa capacidade de mobilização de outros moçambicanos para vos seguirem no exemplo.
Moçambique precisa de acelerar o passo para recuperar o tempo perdido. Vejam que 500 anos de colonização só produziram uma única universidade, inacessível para muitos moçambicanos. Vejam como com a paz temos estado a registar elevados índices de crescimento, construindo mais escolas, unidades sanitárias, fontes de abastecimento de água, estradas, pontes, a energizar casas de mais famílias moçambicanas e estabelecimentos comerciais e a colocar mais compatriotas nossos a comunicar-se entre si e com cidadãos de outros quadrantes do mundo, através da nossa rede de telecomunicações. Com a paz temos estado a ser um destino seguro para o investimento público e privado, nacional e estrangeiro, um investimento gerador de postos de trabalho e de renda para mais compatriotas nossos. Com a paz muitos jovens estão a afirmar-se na ciência e tecnologia, nos negócios, no desporto, nas artes e cultura, no associativismo e em outras áreas de intervenção humana.
Como não podemos interagir com cada um de vós, de forma directa, nem entrar em contacto com as vossas experiências de luta contra a pobreza, nas suas dimensões múltiplas, queríamos convidar-vos a relatá-las, de forma resumida, incluindo a sua localização, onde isso for aplicável, neste blog. Referimo-nos, por exemplo, às vossas experiências de promoção da auto-estima e da moçambicanidade, de consolidação da Unidade Nacional e da Paz e de reforço da cultura de trabalho. Referimo-nos ainda aos exemplos de cidadania e de bem servir nas instituições públicas e privadas, em todo o nosso belo Moçambique. O exemplo até pode ser de um outro compatriota ou associação mas através desta página podem trazê-lo ao nosso conhecimento. 
Moçambique, caros jovens, é nosso e, por conseguinte, por nós deve ser construído. Podemos estabelecer as mais diversas parcerias de desenvolvimento e potenciar as já existentes, mas não podemos delegar a outrem a liderança desta epopeia de libertação da nossa Pátria Amada da pobreza. Como no passado nós moçambicanos, filhos desta Pátria de Heróis, devemos ser os Heróis da nossa própria libertação deste flagelo chamado pobreza.
Aguardaremos pelos vossos relatos não só para deles aprender como também para partilhar com outros compatriotas nossos do Rovuma ao Maputo e do Indico ao Zumbo e mesmo com os que se encontram fora das nossas fronteiras nacionais que participam nos nossos debates. O convite está formulado

Armando Emílio Guebuza
(Presidente da República de Moçambique)