29 de Jan de 2010

O Nosso Compromisso - O Comentário que se Impõe


A qualidade e pertinência das contribuições e conselhos que nos têm dado merecem os nossos mais elevados encómios. De igual modo, saudamos os muitos internautas que têm visitado esta página e que depois partilham as nossas e as suas ideias com outros seus pares de forma directa ou através dos seus blogs.
Em cada uma das vossas postagens na nossa página, lemos o olhar atento e crítico do moçambicano, o seu aguçado patriotismo e a sua insofismável pré-disposição para fazer a sua parte nesta luta contra a pobreza. Isto agrada-nos, sobremaneira. Particularmente porque a grande maioria é constituída pelos jovens da Geração da Viragem, os jovens que, apoiando-se nas gerações anteriores e no seu potencial de heroicidade, têm a missão de levar de vencida a pobreza nesta Pátria de Heróis.
Quer nos comentários sobre a abordagem que fazemos à problemática da pobreza urbana, quer nos que são feitos em relação ao nosso discurso de tomada de posse, sentimos um forte compromisso da Geração da Viragem de assumir maior protagonismo na luta que travamos contra a pobreza. Na verdade, mais do que assumir que “a identificação do problema é meio caminho para a sua resolução”, como dizia um dos internautas, muitos dos que intervieram deixaram claro que são eles e todos os outros moçambicanos que devem construir esta Pérola do Índico. Saudamos este compromisso.
Sobre o tema que aborda a pobreza urbana, gostaríamos de destacar que os resultados que logramos nos distritos no quinquénio passado dão-nos certeza de que também no meio urbano podemos reduzir os índices deste fenómeno. Participando neste debate, um dos internautas disse que “Se me fosse pedido para resumir o seu texto, numa palavra, eu diria: organizai-vos”. Foi isso que aconteceu no campo e é isso que propomos para as cidades e vilas porque, como dizia um outro internauta, “é necessário, senão fundamental que as pessoas trabalhando em diversos sectores (a) se profissionalizem, (b) agrupem-se em associações e (c) aprimorem os seus conhecimentos sobre a legislação laboral para daí tirarem melhor proveito”.
O nosso Governo vai inscrever este desafio na sua agenda, a agenda de todos os moçambicanos. Temos certeza de que cada um de vós, caros compatriotas, vai abraçar este desafio com o mesmo entusiasmo com que comentou sobre este e os outros temas que foram aqui postados.
Quanto ao discurso de tomada de posse queremos agradecer os comentários e os elogios que nos endereçaram. Nós vamos, como Governo, fazer a nossa parte para que as nossas promessas eleitorais sejam cumpridas com a qualidade e a celeridade que merecem. Mas a nossa luta contra a pobreza só vai ter sucesso se contar com o empenho de todos os moçambicanos na sala de aulas, no laboratório, na machamba, no mercado, na empresa, na repartição, na unidade sanitária ou policial, na cooperativa ou na associação, em todo o lado. Vai ter sucesso através da contínua adopção da atitude que promova a nossa auto-estima e o bom nome desta Pérola do Indico no seio da Comunidade de Nações. Nós temos talento, mãos dextras e recursos capazes de nos catapultarem para esse bem-estar que todos almejamos. Por isso, concordamos com o internauta que, interpretando o sentimento dos seus pares e de outros moçambicanos, enfatiza que é preciso “cultivar a cultura de trabalho como forma de abandonar a cultura de mão estendida. Espero que a geração da viragem tenha entendido muito bem esta mensagem”.
Quanto às questões pontuais que foram colocadas gostaríamos de dizer que elas vão merecer a devida resposta porque, felizmente esta página é também visitada pelos dirigentes do nosso Estado, aos diversos níveis.
Finalmente agradecemos as mensagens de carinho e de encorajamento que postaram nesta página, por ocasião do nosso dia especial, o dia 20 de Janeiro.
Continuamos a aguardar por mais conselhos e comentários, que em catadupa tem inundado esta página. Aliás enquanto comentávamos estas postagens, outras estavam a entrar sobre as quais teceremos considerações mais tarde.

Armando Emílio Guebuza
(Presidente da República de Moçambique)

14 de Jan de 2010

Discurso de Investidura de Armando Emilio Guebuza - 14/01/2010






Descentralização:
Promovendo a cidadania, a boa governação e a luta contra a pobreza  



1. Introdução

É com muita emoção que nos dirigimos a todos vós, caros compatriotas, no País e no exterior, e aos nossos dignatários estrangeiros, por ocasião deste acto solene da nossa investidura. Uma saudação especial vai para os Senhores Chefes de Estado e de Governo que decidiram priorizar a sua participação nesta cerimónia, numa inequívoca expressão de amizade e estima pelo Povo Moçambicano e em sinal das excelentes relações entre o nosso Moçambique e os seus países. A vossa presença, Senhores Chefes de Estado e de Governo, que muito nos honra, é digna do nosso maior apreço. Muito obrigado por terem aceite o nosso convite.
Com este acto solene de investidura, acabamos de assumir o compromisso de honra de voltar a liderar os destinos do heróico Povo Moçambicano nos próximos cinco anos. Queremos usar esta oportunidade para, uma vez mais, saudar o nosso maravilhoso Povo pelo elevado nível de civismo, de maturidade política e de reiterado compromisso com a democracia multipartidária e o Estado de Direito Democrático que demonstrou ao longo da campanha eleitoral e no dia da votação.
Orgulhamo-nos de pertencer a um Povo com estas qualidades especiais, um Povo com aguçada sabedoria e profunda visão. Este é um Povo que nos inspira na nossa acção política, estrutura e corporiza a nossa visão de um Moçambique próspero, sempre unido, em paz e com crescente prestígio no concerto das nações.


2. A mensagem para a campanha eleitoral

Levamos ao eleitorado a mensagem da nossa disponibilidade de continuarmos a liderar o maravilhoso Povo Moçambicano na luta que trava contra a pobreza. Ao fazermos da luta contra a pobreza nosso estandarte eleitoral, fomos para além da simples e óbvia constatação de que a pobreza é um problema, um mal que flagela os moçambicanos, homens e mulheres, no campo e na cidade, do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbo.
Na interacção com o nosso Povo diagnosticámos as causas deste confrangedor e degradante fenómeno  e enfatizámos que tínhamos apenas duas escolhas: ou resignarmo-nos, assumindo que a pobreza é um mal invencível, ou armarmo-nos da nossa auto-estima e lutar para o fazer recuar até passar à História. Articulamos, acima de tudo, certezas de que um Povo com um palmarés de vitórias como o nosso, estava em condições de continuar a usar criativamente o seu génio e as suas mãos dextras para vencer este mal.
Não foram apenas os apoiantes do partido vencedor que acreditaram nesta nossa mensagem, pois os resultados eleitorais demonstram que no nosso Moçambique a vontade de lutar contra a pobreza ultrapassa as cores político-partidárias. Assim, e com este capital de confiança e de legitimidade, queremos exortar a Nação Moçambicana que assuma que é chegado o momento de secundarizarmos as diferenças políticas que caracterizaram a competição pelo voto e dedicarmo-nos à luta contra a pobreza, com todas as nossas energias, a epopeia de um Povo que quer e sabe que pode e que está a vencer este flagelo.
Reafirmamos que, nós próprios, seremos o Presidente de todos os moçambicanos e o nosso governo, cuja composição anunciaremos em breve, vai respeitar e fazer respeitar o Estado de Direito Democrático e de Justiça Social, baseado no pluralismo político e de expressão, no respeito e garantia dos direitos e liberdades fundamentais de todos os cidadãos, independentemente de qualquer circunstância que os diferencie, assegurando igualdade de oportunidades.


3. Balanço do Quinquénio

O quinquénio que termina com esta cerimónia de investidura foi expressivo em realizações. A auto-estima do moçambicano, o seu orgulho pela sua história, cultura e feitos cristalizou-se. Tecendo-se nas malhas destas virtudes, o moçambicano aumentou a sua auto-confiança e gerou mais energias que despoletaram as suas natas, mas adormecidas capacidades de realização. 
A Unidade Nacional consolidou-se ao longo deste quinquénio e mais compatriotas nossos sentiram-se encorajados a inserir-se política, social e economicamente em qualquer espaço do nosso solo pátrio. Com a Unidade Nacional, cresceu o sentido de Pátria, o amor pelos nossos símbolos e valores da moçambicanidade.
À extensão e largura do nosso belo Moçambique erguem-se outras realizações, marcos deste quinquénio. Temos mais locais onde antes sobressaíam escolas de construção precária e hoje funcionam escolas em alvenaria; Temos mais locais onde antes funcionavam instalações de saúde degradadas e hoje reluzem unidades sanitárias reabilitadas e com mais pessoal e logística; Temos mais locais onde antes a água potável era uma miragem e hoje jorra nos fontenários e nas torneiras, todo o dia, todos os dias; Temos mais locais onde o acesso ao computador era dependente da ligação nocturna do gerador e hoje os funcionários já não precisam de fazer horas extras para aceder a estas e a outras tecnologias de informação e comunicação pois a energia está disponível nas 24 horas do dia; Temos mais locais que eram descampados, povoados de ruínas ou de construções precárias e onde hoje se erguem residências, escritórios e outras infra-estruturas sociais e económicas que emprestam a sua imponência e beleza ao nosso já belo Moçambique; Temos mais locais onde pouco havia para fazer e hoje geram-se muitos postos de emprego, em cascata, graças ao investimento público e privado e à descentralização de recursos; Temos mais locais para onde viajar deixou de ser um martírio, um  risco ou uma incerteza do tempo de chegada porque a reabilitação de estradas, pontes e ferrovias permite uma circulação em segurança e comodidade e com o viajante comunicável através da telefonia móvel.
Os 7 milhões operaram mudanças de vulto nos distritos. Em algumas zonas onde havia fome, hoje, o nosso sempre laborioso Povo clama por mercados para comercializar os seus excedentes. Clama por instituições financeiras para depositar as suas poupanças ou para buscar recursos financeiros para ampliar os seus negócios. Nalgumas zonas, a bicicleta e a motorizada já não são novidade. Nem o é a oficina onde estes meios de transporte são reparados. A novidade passou a ser a loja de venda dos seus acessórios.
Moçambique marchou, a passo acelerado. A pobreza, essa, recuou, consideravelmente.


4. Traduzindo o Compromissos eleitorais em programas

Queremos reafirmar que vamos cumprir com as nossas promessas eleitorais. Reiteramos este compromisso, galvanizados pela sublime certeza de que, atrás de nós, temos os milhões de braços de moçambicanos e de amigos de Moçambique, todos puxando numa mesma direcção, formando uma única e imparável força, capaz de lograr feitos à medida da grandeza desta Pátria de Heróis. É também esta convicção que esperamos da parte daqueles que vão ter a oportunidade de integrar a nossa equipe restrita de trabalho, o Governo da República de Moçambique. Queremos que cada um deles, no seu quotidiano, se sinta desafiado a honrar a confiança que nele depositarmos, fazendo da implementação do nosso manifesto eleitoral sua prioridade primeira e da humildade e bem servir Moçambique e o seu Povo, sua prática do quotidiano.
Discorrendo sobre os nossos compromissos, gostaríamos de reiterar que vamos continuar a consolidar a Unidade Nacional entre os moçambicanos, do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbo. Para nós, a Unidade Nacional é o sangue que corre em todas as artérias da nossa sociedade, levando o oxigénio da esperança e da nossa insofismável vontade de vencer obstáculos. A Unidade Nacional é, sobretudo, o sangue que transporta as imunidades necessárias para que, como um Povo, como uma Nação, não desfaleçamos perante esses obstáculos.
Já o dissemos e voltamos a reafirmá-lo aqui. A única alternativa à Paz é a própria Paz. Com a paz, e aqui destacamos, e aqui destacamos o papel dos partidos políticos, da comunicação social, das confissões religiosas e de outras organizações da sociedade,  civil, com a paz, dizíamos nos abraçamos e sentimos a nossa irmandade a penetrar nas profundezas do âmago da nossa moçambicanidade, do nosso sistema de valores. Com a paz galvanizamo-nos para desenvolver a nossa Pátria Amada.
A Unidade Nacional e a Paz são fundamentos para a consolidação da democracia multipartidária em Moçambique. Neste contexto, convidamos a todos os partidos e coligações de partidos do nosso firmamento político e as suas lideranças e membros, as mulheres e os jovens, todos os moçambicanos, a participarem neste processo de consolidação da democracia multipartidária, um processo que também liberta diversas iniciativas criadoras para o sucesso dos nossos programas de desenvolvimento. Convidamos igualmente as organizações da sociedade civil, incluindo a comunicação social, a continuarem a dar o seu contributo no aprofundamento da nossa jovem e vibrante democracia multipartiadária.
Olhando para o nosso segundo compromisso, queremos deixar expresso que a luta contra a pobreza e pela cultura do trabalho vai assumir-se como um aspecto transversal, colocando-se no epicentro da nossa acção governativa. Em primeiro lugar, à nossa governação competirá a nobre missão de promover a diversificação das condições que permitam que o moçambicano aplique o seu saber para transformar os nossos abundantes recursos e oportunidades, que vamos continuar a criar, em alavancas para a melhoria das suas condições pessoais de vida. Queremos que cada um de nós celebre as pequenas vitórias que vai conquistando, no quotidiano, que lhe permitem identificar como o seu dia de hoje é melhor que o de ontem: Seja porque teve melhores notas; Seja porque concluiu uma pesquisa académica; Seja porque melhorou o aproveitamento dos seus alunos ou estudantes; Seja porque atendeu mais cidadãos na sua repartição ou unidade sanitária; Seja porque aumentou a sua produção agrária; Seja porque conseguiu melhorar as condições de higiene da sua banca; Seja porque adoptou novas tecnologias; Seja porque melhorou a sua própria habitação; Seja, enfim, porque identificou e explorou novas oportunidades.
Ainda neste contexto, vamos intensificar as nossas acções de luta contra a pobreza urbana, promovendo, como no campo, parcerias com o sector privado, as confissões religiosas e outras organizações da sociedade civil. Procuraremos, assim, encorajar os nossos compatriotas a organizarem-se em associações ou empresas, a enveredarem pela formação, de variada duração e especialidade, e a acreditarem que a melhoria das suas vidas, higiene e segurança nos seus locais de trabalho e de residência está ao seu alcance e depende, em primeiro lugar, de si próprios. Que basta que apostem na sua auto-estima e na auto-superação. A este respeito, agradecemos as valiosas contribuições que temos recebido dos nossos internautas sobre este e outros temas na nossa página na internet (www.armandoguebuza.blogspot.com).
Em segundo lugar, queremos que o moçambicano desperte, uma vez mais, para as múltiplas oportunidades de lutar contra a pobreza que os projectos e programas sociais e económicos que estamos a desenvolver lhe abrem. Referimo-nos às oportunidades que advêm dos investimentos públicos e privados que resultam e decorrem da electrificação rural, abastecimento de água, telecomunicações, expansão da rede escolar e do ensino superior, tecnologias de informação e comunicação, estradas, pontes e outras obras públicas. A Revolução Verde cria outra série de oportunidades na cadeia de valor da produção agrária, agro-processamento e comercialização.
O ano de 2010 é um ano capicua da Geração do 8 de Março. Ao longo destes 33 anos, esta geração, com o apoio e liderança da Geração do 25 de Setembro escreveu importantes páginas da nossa História: Assegurou a continuidade da actividade social e económica no alvor da nossa Independência Nacional; garantiu a formação de quadros e a defesa da soberania nacional; e contribuiu para o resgate da Paz.
Ainda neste quadro de luta contra a pobreza, vamos continuar a prestar atenção à resolução dos problemas dos desmobilizados de guerra. Temos certeza de que com o seu envolvimento e cooperação saberemos ultrapassar esses problemas.
Hoje emerge a Geração da Viragem. A geração cuja missão histórica é de lutar e vencer a pobreza. Para o sucesso nesta sua missão, ela conta com o conhecimento, a sagacidade e a visão da Geração do 25 de Setembro e da Geração do 8 de Março. Como a experiência no meio familiar e na sociedade nos ensina, nenhuma geração pode ter êxitos na sua missão fazendo do combate e vilipêndio das gerações anteriores sua agenda principal. Tudo o que a Geração do 25 de Setembro e a Geração do 8 de Março foram fazendo era e será sempre para a juventude e para as gerações vindouras. Referimo-nos, por exemplo, à educação, à saúde, aos transportes, à habitação e mesmo ao emprego no sector público e privado onde, em observância de uma série de critérios, são os jovens que dominam os ingressos. À Geração da Viragem, que, como a mulher, estará no epicento da nossa acção governativa, cabe dar expressão e substância ao nosso desiderato de ver o programa Made in Mozambique a assumir um carácter transversal na nossa governação e na nossa sociedade. 
No contexto da implementação do nosso quarto compromisso, boa governação e cultura de prestação de contas, vamos consolidar e ampliar a experiência da Presidência Aberta e Inclusiva. Vamos ainda continuar a promover uma justiça célere e cada vez mais próxima do cidadão e assegurar que mais actores da nossa sociedade, incluindo as organizações sócio profissionais, no campo e na cidade, sintam que são desafiados a darem o seu melhor na construção desta Pérola do Índico..
Na implementação deste compromisso também colocaremos acento tónico no processo de descentralização. Para nós descentralizar é confiar e capacitar; confiar e capacitar é responsabilizar; responsabilizar é incutir a cultura de prestação de contas e a transparência na gestão da coisa pública. Ao mesmo tempo, descentralizar é inculcar o sentido de cidadania, de pertença e de inclusão; é promover a boa governação e o envolvimento de mais moçambicanos na construção deste nosso belo Moçambique, o seu Moçambique, o Moçambique de todos e de cada um de nós. 
Em cumprimento do nosso quinto compromisso, vamos continuar a desenvolver acções para o reforço da nossa soberania. O papel que cabe às Forças de Defesa e Segurança de garantes da independência nacional, da preservação da soberania, da integridade territorial e da manutenção da lei e ordem continuará a ser promovido e valorizado. Prosseguiremos com a abordagem que faz do serviço militar uma das forjas da Unidade Nacional e da consciência patriótica dos jovens. Ele será complementado pelo serviço cívico que tem o condão de reforçar o espírito de voluntariado da nossa juventude e do seu amor pelo nosso maravilhoso Povo.
Continuaremos, igualmente, a tomar parte em missões de apoio à paz e de interesse público. Prosseguiremos, no mesmo quadro, com a nossa participação em mecanismos colectivos de segurança, a nível regional e internacional, como uma forma de reiterar o nosso empenho com a Paz e segurança mundiais. O nosso quinto compromisso prende-se com a prossecução de acções tendentes ao reforço da cooperação internacional. Neste contexto, continuaremos actores activos na SADC e na União Africana, lutando pelo triunfo dos ideais da integração da África Austral rumo à integração continental.
Continuaremos empenhados no reforço e contínua afirmação da CPLP no contexto da diplomacia internacional.
Aos nossos parceiros bilaterais, à família das Nações Unidas e às diversas Organizações Internacionais de que somos membros, entre eles, a Commonwealth, a ACP, o Movimento dos Não-Alinhados, a Organização Internacional da Francofonia e a Conferência Islâmica bem como aos nossos outros parceiros como a União Europeia as instituições financeiras, tais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, Banco Africano de Desensolvimento, o Banco Europeu de Desenvolvimento e o Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África , reiteramos o nosso compromisso de continuarmos a trabalhar convosco e a valorizar o vosso empenho e apoio ao nosso desenvolvimento. Nesta parceria registámos sucessos no passado. Nesta parceria vamos registar sucessos no futuro.

5. Os desafios

Temos plena consciência dos desafios que despontam no horizonte. O caminho é longo e tortuoso. Os obstáculos ao nosso desenvolvimento, entre eles o burocratismo, o espírito de deixa-andar, a corrupção e o crime bem como as diferentes pandemias, entre elas o HIV/SIDA e a Malária, continuarão a merecer a nossa melhor atenção, com particular incidência através da continuação da formação de quadros, das reformas no sector público e do apoio à crescente melhoria do desempenho dos sectores da integrantes da administração da justiça. As mudanças climáticas e a crise económica e financeira são outros desafios que, como no quinquénio que hoje termina, devemos continuar a transformá-los em oportunidades de desenvolvimento. Por isso, vamos estimular a inovação, a proactividade, o empreendedorismo, a excelência, o rigor e a qualidade, assentes no espírito da auto-estima e da auto-superação. Vamos assegurar que o talento é acarinhado, premiado, exaltado e emulado. Nesta cruzada, vamos intensificar as acções tendentes a desencorajar a prática de mão-estendida, essa degradante atitude de querer depender de terceiros mesmo quando podemos, nós próprios, pensar, conceber e produzir e nesses terceiros buscar o complemento ou o enriquecimento das nossas acções.

6. Reiterando os agradecimentos

A todos os que deram a sua valiosa contribuição para o sucesso desta cerimónia vai a nossa expressão de reconhecimento e de gratidão. Muito obrigado Povo Moçambicano pela renovada e expressiva confiança.
Muito obrigado pela vossa atenção.

7 de Jan de 2010

Pobreza urbana: Levando o cidadão a fazer melhor o que já faz, com perspectiva de crescimento

Foi uma vez mais muito agradável interagir com os nossos compatriotas internautas. As diferentes intervenções demonstraram que afinal tanto a toponímia como a padronização das línguas moçambicanas são mesmo temas da actualidade.
Também nos apercebemos que muitos dos que estão a participar neste debate são jovens, alguns dos quais com informação muito importante sobre a história dos nomes de certas localidades e a forma como esses nomes se deveriam escrever. Felizmente, temos agora o Instituto de Nomes Geográficos de Moçambique que, acreditamos, vai ter também nestes internautas valiosos informantes.
Não estamos a fechar este interessante debate mas gostaríamos de trazer um outro assunto para reflexão: a pobreza urbana.
Um dos nossos próximos desafios será o reforço das nossas acções de luta contra a pobreza no meio urbano. Vários factores estão por detrás dos níveis de pobreza que se registam nas nossas cidades e vilas, um mal que é agravado pelas condições de higiene e saneamento bem como pela forma precária de organização e funcionamento dos diferentes serviços e pelos baixos níveis de exploração das oportunidades de crescimento e afirmação desses empreendimentos.
O emprego apresenta-se como um dos fundamentos para a luta contra a pobreza no meio urbano. Porém, os postos de trabalho gerados pelos sectores público e privado revelam-se insuficientes para abranger os muitos compatriotas desempregados ou no sub-emprego. Olhando para a realidade das nossas cidades e vilas vemos que existem muitas oportunidades para geração de emprego que deveríamos explorar. Vamos de seguida dar alguns exemplos.
Com o aumento da frota de viaturas, a actividade de reparação mecânica e serviços afins está a conhecer um rápido crescimento. Todavia, a esmagadora maioria das oficinas são precárias ou improvisadas. Não parece estar embutida nalguns destes operadores a visão de crescimento e de especialização. Conhecemos algumas destas oficinas há anos e ainda hoje funcionam da mesma maneira. Temos que despertar nestes compatriotas a necessidade de se fixarem de forma mais organizada, de se registarem, de formarem associações e de criarem a sua base de capital para assegurar futuros investimentos. O mesmo se aplica aos moçambicanos que limpam ou guardam viaturas em mercados, repartições ou locais de culto. Há coisas que eles podem fazer melhor para merecerem confiança e atraírem mais clientes.
Os latoeiros, barbeiros, engraxadores, pedreiros, electricistas, canalizadores, alfaiates, modistas, reparadores de electro-domésticos e operadores de outros serviços similares podem ter a sua própria organização, o seu próprio espaço de trabalho, as suas formas de contacto e, até avançarem para um directório público. Organizados estarão em condições de obter certificação oficial, definir regras de funcionamento e de ética bem como diferenciar entre o mestre, o ajudante e o aprendiz.
No domínio dos transportes temos visto compatriotas a trazerem novas invenções para o mercado. Temos aquele inventor do Búzi que já registou uma motorizada e um carro da sua criação, o do Chokwe que patenteou o seu carro e o do Nanhupo-Rio que diz que está sempre a inventar mais uma coisa de utilidade pública. Uma das nossas perguntas é: quem é que vai produzir a nova geração de txova, com pedais ou motor, para trazer maior eficiência e comodidade no transporte de bens de e para os mercados?
Nas cidades e vilas regista-se o aumento de indústrias, como a de fabrico de sumos, partir da fruta fresca, de confecção de bolos bem como a de produção de blocos. No mesmo contexto, multiplicam-se oficinas de carpintaria, de serralharia e de estofaria. Estas indústrias, que são iminentemente caseiras, operam, muitas vezes, sem controlo de qualidade, sem condições aceitáveis de higiene e segurança no trabalho e não se guiam pela escala de operação. São, portanto, de carácter precário, faltando-lhes orientação profissional, organização e gestão para se tornarem empresas com condições para crescimento e até especialização. A necessidade de profissionalização destes serviços, sua organização e categorização de quem lá trabalha revela-se importante.
Nas vilas e cidades existe muito potencial para o nascimento e afirmação de novas indústrias caseiras organizadas nos moldes como os descritos acima. Estes são os casos das indústrias de cestaria decorativa, artefactos turísticos, bordados, batik e tapeçarias. Nesta, como noutras áreas, a inovação, a criatividade e o empreendedorismo podem ser incentivados para a criação de mais postos de emprego, factor importante na luta contra a pobreza urbana. Nesta dinamização da actividade social e económica podem nascer centros de difusão de tecnologias, de venda de acessórios e de centros de formação com a devida certificação. Revistas e jornais podem encontrar fontes de notícias para divulgação de casos de sucesso.
Na actividade comercial, o sector informal gera muitos postos de emprego mas melhor organizado poderia gerar muitos mais ainda. A melhoria das condições de higiene e conservação dos produtos bem como de apresentação, com farda, do vendedor podem atrair muitos mais clientes aumentando a sua renda. Ficamos muito impressionados com a informação que a ASSOTSI nos prestou em Outubro último segundo a qual para além de venderem produtos de terceiros estavam a considerar dedicar-se à produção agrária, a partir de 2010. Quer dizer, eles querem passar a fornecedores de alguns dos produtos para o consumidor o que pode contribuir para baixar o preço desses produtos e aumentar mais ainda a sua renda.
Ainda no sector informal, consideramos que as barracas poderiam ser associadas a actividades lúdicas como jogos de bilhar e à boa culinária moçambicana, com ementas variadas. A ideia seria que as barracas passassem a ser locais que atraem muitas mais famílias que buscam o repouso, a diversão e a boa comida. Por outro lado, uma melhor organização dos bares, restaurantes, quiosques e similares contribuiria para elevar os níveis de empregabilidade e das condições de trabalho para os trabalhadores.
O turismo está em franco crescimento criando, para os nossos compatriotas, outras oportunidades para combaterem a pobreza. O transporte dedicado, os guias turísticos, as exposições, mercados e feiras de obras de arte e cultura são exemplos do que pode ser feito nas nossas cidades e vilas.
Nas praias, para além da melhoria das condições de higiene dos locais para “comes e bebes”, existe a oportunidade de serviços diversos como são os casos de venda de folhetos com informações diversas, de aluguer de sombrinhas de praia, cadeiras e de aceder a serviços de instrutores e equipamento de natação. A provisão de serviços de agentes salva-vidas, mergulhadores, operadores de barcos de recreio, entre outros, entra nesta equação. O turismo sairia mais enriquecido e as alternativas de emprego iriam, por consequência, aumentar.
Finalmente temos as áreas de concentração dos municípios que podem ser exploradas para gerar mais postos de trabalho. Vemos oportunidades, por exemplo, na recolha e tratamento de resíduos sólidos, na gestão de mercados, de jardins e de casas de banho públicas bem assim na limpeza de ruas e sarjetas, só para dar alguns exemplos.
A formação de associações tem algumas vantagens. De entre elas destaque vai para a possibilidade que criam para os seus membros reflectirem sobre os desafios e as oportunidades que lhes são comuns. A outra vantagem prende-se com o facto de, através deste organismo, os seus membros terem uma forma de interagir com o governo e com o sector financeiro. A terceira é que através da associação se separa o trigo do joio e se pode criar maior confiança com o cliente. A quarta é que quando um cliente faz uma encomenda vários membros podem juntar-se para satisfazê-la em muito menos tempo.
O maior conhecimento das oportunidades que a Lei de Trabalho oferece e das que são criadas pela simplificação de procedimentos para constituição de empresas e para a canalização de contribuições fiscais revelam-se de grande utilidade na luta contra a pobreza urbana. De igual modo, a actividade de formação, nas suas diversas variantes e períodos de duração, especialmente a virada para o saber fazer, aparece como outro elemento essencial.
Nós podemos vencer a pobreza urbana, mas para isso, cada um de nós precisa de aceitar e acreditar que é mesmo possível. Que pode mudar as suas condições de vida, contando, em primeiro lugar, com o seu génio e mãos dextras e encarar os apoios de terceiros, que nós vamos prestar, como complementares ao que está a fazer. A auto-estima é fundamental nisto.
Procuramos trazer aqui algumas ideias ilustrativas daquilo que podemos fazer para intensificar as nossas acções de luta contra a pobreza no meio urbano. Como sempre conto com os vossos conselhos e observações sobre o que mais podemos fazer para gerar postos de trabalho sustentáveis nas nossas cidades e vilas.

Armando Emílio Guebuza
(Presidente da República de Moçambique)

24 de Nov de 2009

A TOPONIMIA: Uma questão de auto-estima, identidade cultural e historia



Uma vez mais sentimos que valeu a pena abrir esta página para interagir com os meus compatriotas. Temos recebido inúmeros conselhos e, mesmo através das percepções que alguns dos nossos compatriotas têm sobre determinado fenómeno, aprendemos que devemos agir deste ou daquele modo. Gostaríamos de reconhecer os elogios e os encorajamentos que nos foram dando sobre a nossa governação e a atenção que nos chamaram sobre diferentes desafios que temos pela frente sendo o de maior destaque a implementação, diríamos até, mais célere, das nossas decisões.
Um apelo que foi lançado de forma recorrente era para que este espaço não parasse depois da campanha. Na verdade, ele não nasceu na campanha, mas durante a campanha, em resposta a pedidos colocados durante a nossa Presidência Aberta e Inclusiva, essa nossa complexa e multidimensional cultura política, essa nossa maneira de colocar o nosso Povo e os seus mais nobres anseios no centro das atenções da nossa acção governativa. Se estiverem recordados dissemos que foi durante a visita que realizámos aos Centros Multimédia Comunitários de Chitima, na Província, de Tete, de Chokwe, na Província de Gaza, e da Catembe, na Cidade de Maputo, que interagimos com os jovens gestores e beneficiários destes Centros. Estes, interpretando o sentimento de outros compatriotas nossos, pediram-nos para com eles nos comunicarmos, fazendo uso das tecnologias de informação e comunicação. Por isso, esta página não vai parar não. Como poderia ela parar se vem enriquecer a nossa cultura política que se fundamenta no diálogo e na busca incessante de conselhos deste povo especial, o maravilhoso Povo Moçambicano?
Como anunciamos logo no primeiro artigo, vamos acompanhando as postagens e todos os nossos compatriotas tenham a certeza de que estamos, efectivamente, a acompanhar o que têm estado a comentar, a sugerir e a criticar. O nosso estilo de trabalho é este e quem já assistiu às nossas reuniões com organizações da sociedade civil, com académico e outros intelectuais na Presidência da República, com os Conselhos Consultivos e com a população em comícios sabe que entramos para esse encontro com um bloco de notas limpo para sair com o mesmo bloco muito bem preenchido com as valiosas contribuições dos intervenientes. Não é nosso estilo comentar necessariamente tudo o que é dito nesses encontros embora guardemos tudo como lições, como conselhos. Por isso, caro compatriota, os seus conselhos são e serão úteis na nossa governação, pois este canal já está a trazer uma nova dimensão à Presidência Aberta e Inclusiva.
Para nós seria vantajoso que todos os nossos interlocutores se apresentassem com nomes próprios e, sobretudo, com um pequeno perfil. Assim teríamos uma ideia mais clara sobre com quem estamos a interagir tendo presente a sua formação, idade e ocupação. Mas isto não é obrigatório nesta página.
Hoje gostaríamos de abordar um novo tema: A toponímia. De um modo geral, os topónimos encerram uma parte da nossa identidade cultural, do nosso percurso histórico e são uma inestimável fonte da nossa auto-estima, do nosso orgulho de sermos moçambicanos. Por isso, na nossa governação está sempre presente a necessidade de aproximar a nossa toponímia à realidade social, cultural e política do nosso Moçambique, livre e independente. Foi neste contexto que substituímos, por exemplo, os nomes de localidades, de instituições educacionais e de ruas, impostos pela colonização, por nomes que reflectem a nova realidade da nossa Pátria Amada. Também neste exercício se enquadra o papel que conferimos aos líderes comunitários e às cerimónias de evocação dos antepassados.
Temos consciência de que a substituição dos topónimos não está ainda completa. Com efeito, temos, por exemplo, ainda muitos nomes geográficos que não têm nenhuma relação com a nossa realidade de Estado soberano. Por outro lado, temos também casos de substituições que não foram ao encontro da forma como esses topónimos são pronunciados pelos falantes da língua-fonte. Foi assim que ficamos com Cuamba em vez de Mkwapha, de Gondola em vez Gandura e por aí fora. Por isso, a referência desse local em português em nada se aproxima da referência usada pelo intérprete e pela população. Este problema é exacerbado pela ortografia que se usa para as línguas moçambicana onde nomes que deviam ter os mesmos símbolos acabam confundindo o leitor chegando-se à situação de só quem escreveu ou aquele que partilha dessa “escola de formação ortográfica” é que é capaz de ler. Um dos desafios que temos, pois, é como reflectir a pronúncia corrente na língua do topónimo, um processo a que se deve chegar também através de uma ortografia padronizada.
Quando falamos de toponímia outras duas questões fundamentais se levantam: por um lado, a auto-estima e o reforço da nossa identidade e sentido de história. Por outro, a necessidade de encararmos a escrita correcta e padronizada dos topónimos como uma medida que vai contribuir para a divulgação dessa ortografia dentro da nossa sociedade.  
Há uma outra dimensão social que nos interessa destacar. Os topónimos encerram importantes traços da nossa história, outros são repositórios de lendas, de saberes e de exemplos de talento e de bravura dos nossos antepassados. Este manancial epistemológico nem sempre se encontra registado e disponível para a sua divulgação mesmo nas escolas inseridas nesse espaço geográfico e nas comunidades donas desse nome. O que podem os moçambicanos fazer para divulgar estes ricos elementos da nossa identidade? Não vamos aqui entrar na antroponímia mas queríamos encorajar os nossos compatriotas a habituarem-se a desenhar e a conhecer as suas árvores geneológicas, os mais velhos passando essa informação aos mais nossos e estes pelas gerações vindouras. Cada família devia sentir essa responsabilidade de preservar e valorizar a sua história.
A toponímia e a língua têm uma relação simbiótica de grande relevo. Por isso, a sua valorização passa pela valorização das línguas moçambicanas, que não são dialectos, como alguns dos nossos compatriotas erradamente as designam. A sua valorização passa também pela padronização e divulgação da sua ortografia. Neste contexto, a revisão da toponímia só terá sucesso se formos capazes de, primeiro, dar o valor que as nossas línguas merecem. Em segundo lugar, aceitar que elas devem ter uma ortografia padronizada como qualquer outra língua do mundo. Finalmente, que elas são o veículo principal da nossa moçambicanidade de que a toponímia faz parte.
O Governo vai continuar a trabalhar na revisão e substituição dos topónimos, na adequação da sua escrita à ortografia padronizada, com vista a espelhar a pronúncia dos falantes da língua-fonte e a reflectir a realidade do nosso Moçambique soberano.
A questão que colocamos para abrir este debate é esta: o que podemos nós, os moçambicanos, particularmente a nossa juventude, mais fazer neste exercício todo? Como sempre contamos com os vossos conselhos.

Armando Emílio Guebuza
(Presidente da República de Moçambique, Presidente da FRELIMO e Candidato Presidencial da FRELIMO)

25 de Out de 2009

FRELIMO: Reiterando disponibilidade para liderar Moçambique rumo ao progresso


Comunicação do Camarada Armando Emílio Guebuza, Presidente e Candidato Presidencial da FRELIMO, por ocasião do encerramento da Campanha Eleitoral para as eleições Presidenciais, Parlamentares e para as Assembleias Provinciais
Nampula, 25 de Outubro de 2009

Povo Moçambicano Unido do Rovuma ao Maputo Hoye!
População de Nampula Hoye!
Cidade de Nampula Hoye!


Muito boa tarde Nampula. Nampula sabe fazer maravilhas: transformar uma cidade inteira em palco granjeia admiração de todos nós. Estou muito satisfeito por estar aqui convosco, população e munícipes de Nampula, para esta grande festa que começou no aeroporto e foi arrastando mais participantes ao longo das vias que usamos até esta magnifica sala de reuniões. Não satisfeito em estarem sós nesta festa, convidaram outros distritos. Não temos palavras para descrever este carinho, esta hospitalidade de Nampula, esta forma calorosa do moçambicano de bem acolher quem lhe visita.
Se pudessem estar onde eu estou ficariam com a mesma impressão que tenho. Parece que toda a cidade e província de Nampula acorreram a esta festa! Vejo muitas crianças, muitos jovens e mesmo muitos idosos, vejo muitos homens e muitas mulheres todos vestidos para este convívio e muito felizes por estarem nesta festa que é a festa do nosso Povo. Muito obrigado Nampula por estes momentos de muita música, dança, cor, emoção e convívio.

Meus concidadãos
Como é do vosso conhecimento, a campanha eleitoral rumo às eleições do próximo dia 28 de Outubro está prestes a chegar ao fim. Apraz-nos notar, e isto enche-nos de orgulho, que, do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbo, esta foi uma festa prolongada, um momento de convivência entre moçambicanos de diferentes regiões, em diferentes regiões do nosso belo Moçambique. Foi uma campanha em que os que poderiam ter intenções de provocar distúrbios, intimidar ou cometer actos de vandalismo e violência, não encontraram nem espaço nem encorajamento.
  • Foram identificados;
  • Isolados; e
  • frustrados nesses seus intentos de quererem perturbar a ordem pública e desacreditar a nossa campanha eleitoral.
Por isso, como pudemos todos testemunhar, esta campanha eleitoral saldou-se exemplar como as anteriores.
Neste exercício de aprofundamento da democracia multipartidária, demonstramos, uma vez mais, que para nós moçambicanos, o princípio de que a única alternativa à paz é a própria paz é um princípio que nos é sagrado.
Muito obrigado Povo Moçambicano por esta grande lição de cultura de paz e de convivência democrática. Muito obrigado, caros compatriotas, por estes ensinamentos que devem orgulhar qualquer filho desta bela Pátria de Heróis.

Moçambicanas;
Moçambicanos;
Compatriotas.
Durante estes 43 dias, a nossa mensagem de que a luta contra a pobreza
deve continuar no centro das atenções de todas as moçambicanas e de todos os moçambicanos foi disseminada por compatriotas que se voluntariaram para dar o seu tempo, o seu saber e capacidade. São homens e mulheres que demonstraram que a nossa campanha era, sobretudo, a campanha de todo o nosso Povo, um Povo que sabe para onde quer ir e que também sabe qual é o veículo que lhe permitirá fazer essa viagem e lá chegar em segurança. Por isso, por todo o nosso solo pátrio foram divulgando essa mensagem:
  • A pé, de bicicleta, de motorizada ou de carro;
  • De dia ou de noite;
  • Fazendo bom tempo, sol, ventania ou debaixo da chuva;
  • Em comícios, nas lareiras, nas campanhas inter-pessoais, nas campanhas porta-a-porta;
  • Nos mercados e em desfiles;
  • Através das centenas de inéditas canções, de obras literárias e de arte, de chapéus, gravatas, túnicas, camisas, calças, vestidos e outras peças de vestuário feitos, a custo próprio, a partir dos nossos cartazes, capulanas e lenços;
  • Através do material de campanha colocado como objectos adicionais de adorno e de beleza ou colado nas suas residências, bicicletas, carroças, motorizadas, viaturas, cavalos e em muitos outros tipos de meios de transporte;
Através destes processos todos, a nossa mensagem foi assim difundida e muitos mais compatriotas nossos também passaram a melhor entendê-la e com ela a simpatizarem-se. Mais importante ainda, essas nossas irmãs e irmãos passaram a tomar parte activa na sua divulgação junto de muitos mais compatriotas nossos, no país e no estrangeiro.
Muito obrigado, caros compatriotas pela aderência e pela forma criativa e dinâmica como contribuíram para a disseminação da nossa mensagem.

Compatriotas,
Nós também participamos nesse processo de divulgação dessa mensagem. Na nossa campanha pelo nosso belo Moçambique escalamos:
  • As 10 Províncias e a Cidade de Maputo;
  • 58 distritos;
  • 6 distritos municipais da Cidade de Maputo;
  • 25 Postos administrativos;
  • 8 Localidades; e
  • Realizamos 79 comícios populares.
Em todos estes encontros e espaços geográficos da nossa Pátria Amada, como voltou a acontecer hoje aqui em Nampula, fomos acolhidos com muito carinho, simpatia e por claras expressões de confiança na divisa que nos foi atribuída por este povo muito especial, o maravilhoso Povo Moçambicano. Esta divisa proclama que “quando a FRELIMO promete cumpre”.
Queremos pois, neste último dia de campanha, e através da população desta lendária e sempre em crescimento cidade de Nampula:
  • Saudar:
    • os líderes comunitários;
    • os líderes religiosos;
    • os membros dos conselhos consultivos;
    • os agentes económicos; e
    • outros influentes e os membros e dirigentes de outras organizações da sociedade civil;
    • as mulheres e os jovens
    • pelo seu papel na promoção de uma campanha eleitoral pacífica, ordeira e festiva;
  • Queremos também agradecer as orações, que mesmo neste showmício foram proferidas, e as cerimónias tradicionais de evocação dos espíritos dos nossos antepassados para que Moçambique continue a trilhar o caminho da Paz, da Unidade Nacional e do Desenvolvimento;
  • Queremos saudar ainda:
    • os músicos;
    • os humoristas;
    • os escritores;
    • os actores de teatro; e
    • todos os grupos culturais e outros intérpretes do nosso vasto e rico património cultural pela sua criação artística disseminadora da nossa mensagem.
Na verdade, em cada local que escalamos, entrávamos em contacto com novas criações do talento moçambicano, criações de exaltação da FRELIMO como o partido de realizações, destacando o Povo Moçambicano como principal obreiro e beneficiário dessas realizações;
  • Endereçamos igualmente as nossas saudações aos profissionais da comunicação social pelo seu papel na consolidação da cidadania e na promoção dos valores democráticos, da harmonia social e da cultura de paz;
  • Saudamos os académicos e os pesquisadores pela promoção e participação em debates e análises que contribuem para o crescimento do sentido de cidadania, de pátria e para o aprofundamento da cultura de paz na Nação Moçambicana;
  • Endereçamos as nossas saudações aos jovens da Geração da Viragem que se assumiram como tal e fizeram desta campanha a sua campanha para se manterem no poder como herdeiros dos valores e das conquistas da Geração do 25 de Setembro e da Geração do 8 de Março;
  • Queremos, no mesmo contexto, saudar a mulher moçambicana, sempre na linha da frente da mobilização e enquadramento de mulheres, jovens e outros segmentos da nossa sociedade para uma activa participação na nossa festiva campanha;
  • Estendemos as nossas saudações aos profissionais de diferentes áreas de intervenção humana pela sua contínua contribuição para o crescimento social e económico desta Pérola Índico, mesmo durante estes 43 dias de campanha;
  • Saudamos ainda os nossos concidadãos portadores de deficiência que ao longo desta campanha que hoje termina demonstraram o alto sentido de auto-estima que caracteriza o moçambicano;
  • Dirigimos uma saudação particular aos desmobilizados de guerra pelas suas expressões de apoio a nossa mensagem e pelo seu compromisso de connosco continuarem a trabalhar para a resolução dos problemas que ainda lhes afectam;
  • Queremos saudar ainda a todos aqueles que acorreram aos nossos comícios, nalguns casos tendo que chegar no dia anterior, dadas as longas distâncias que tinham que percorrer para tomar parte nessa festa que consideravam-na sua própria festa e que, por isso, se sentiam responsáveis pelo seu sucesso. Sobretudo, percorriam estas longas distâncias para, com os outros compatriotas, exprimirem a sua satisfação com o impacto positivo das nossas realizações sobre as suas vidas e para reiterar que só com a FRELIMO e o seu Candidato podem realizar os seus projectos individuais no âmbito da sua luta contra a pobreza;
  • Finalmente, vai também uma palavra de gratidão e apreço às forças de defesa e segurança pelo seu papel na manutenção da lei, ordem e segurança públicas.  
Muito obrigado caros compatriotas por estas lições de patriotismo e de compromisso com a Unidade Nacional, a Paz e o desenvolvimento da nossa Pátria Amada.

Compatriotas,
Na nossa campanha eleitoral de 2004, sublinhamos que, como um Povo, tínhamos duas alternativas. A primeira, era resignarmo-nos perante a pobreza e fazer da dolorosa prática de mão estendida nosso modo de vida até sermos devorados por este flagelo.
A segunda alternativa, mais difícil e exigente, era usarmos a nossa inteligência e a nossa capacidade de fazer coisas com as nossas próprias mãos para lutar e, de golpe em golpe, irmos vencendo a pobreza e as suas múltiplas manifestações.
No nosso discurso eleitoral comprometemo-nos a, caso fossemos eleitos, liderar os moçambicanos para o resgate da nossa auto-estima, como um Povo, para lutarmos contra este flagelo e os obstáculos ao nosso desenvolvimento, de entre eles, o burocrastismo, o espírito de deixa andar, a corrupção, o crime e as doenças endémicas.
  • Para nós um povo que se uniu para pegar em armas para lutar e conquistar a sua independência nacional; e
  • Que se uniu para resgatar a paz e lançar-se num processo de reconciliação nacional, é um povo muito especial que não merece o flagelo da pobreza.
  Através do seu voto, em 2004, o nosso Povo confiou a mim e à FRELIMO o papel de liderá-lo na materialização dessa agenda nacional de luta contra a pobreza. Como nós, o nosso povo sabe que o direito de não sermos pobres é nosso direito, como o direito à independência e à Paz.
Em respeito e saudação a esse voto popular de aderência a essa agenda, lideramos, em 2005, o processo de agradecimento dessa confiança e reafirmamos que iríamos cumprir com as nossas promessas eleitorais. E cumprimos, caros compatriotas!
Porque a FRELIMO e eu próprio temos uma grande admiração por este nosso maravilhoso Povo, a maior riqueza desta Pátria de Heróis, instituímos a Presidência Aberta e Inclusiva que se replica a outros níveis de governação.
  • Através deste método de governação abrimo-nos e recebemos muitos conselhos sobre como realizar a nossa vontade individual e colectiva de não sermos pobres;
  • Através deste método levamos os nossos gabinetes para junto do nosso Povo para se pronunciar sobre o nosso desempenho, denunciar desvios do compromisso e reafirmar o seu apoio à nossa agenda, à sua agenda.
  • Através deste método de governação, a FRELIMO, o Presidente da República e o nosso heróico Povo transformaram-se num único corpo, nesses milhões de braços que, gradual mas resolutamente, estão a empurrar a pobreza para o mesmo abismo onde se encontra a dominação estrangeira e a guerra do passado.
Como estamos a vencer este flagelo chamado pobreza? Alguém pode perguntar. E nós respondemos:
    • Reforçando a nossa auto-estima, o orgulho de sermos moçambicanos;
    • Consolidando a Unidade Nacional, a cultura de paz e a democracia multipartidária;
    • Registando sucessos no combate contra os obstáculos ao nosso desenvolvimento, entre eles o burocratismo, o espírito de deixa andar, a corrupção e o crime bem como contra as doenças endémicas;
Estamos a vencer a pobreza:
    • Envolvendo mais os moçambicanos, através da descentralização e dos Conselhos Consultivos;
    • Construindo mais escolas, incluindo as escolas profissionais, todos eles, centros de preparação dos nossos jovens para os desafios da luta contra a pobreza;
    • Construindo e equipando mais unidades sanitárias, incluindo maternidades;
    • Iluminando mais localidades desta Pérola do Índico, através da energia da nossa Cahora Bassa;
    • Construindo mais fontes de água;
    • Reabilitando muitas estradas, pontes e linhas-férreas e introduzindo mais meios de transporte públicos: terrestres, ferroviários, aéreos e marítimos;
    • Garantindo os 7 milhões de Meticais aos distritos para produzirem mais comida e gerarem mais postos de trabalho;
    • Consolidando as nossas relações com outros povos e países e reforçando o prestígio de Moçambique na região e no mundo.
Isto a nível institucional. Mas também há  resultados que os nossos compatriotas registam nesta luta contra a pobreza e deles se orgulham. Por exemplo:
  • Quando todos os dias têm certeza sobre onde irão obter a próxima refeição;
  • Quando constroem casas próprias espaçosas, com divisões e janelas amplas, usando tijolo queimado;
  • Quando adquirem uma bicicleta, motorizada ou viatura;
  • Quando ligam a sua casa à energia eléctrica;
  • Quando passam a ter água canalizada;
  • Quando o seu auto-emprego gera mais rendimentos e se expande para empregar outros moçambicanos;
  • Quando aumentam as suas áreas de cultivo, a sua produção e produtividade;
  • Quando, enfim, esse nosso compatriota passa a acreditar que a pobreza que lhe flagela pode acabar. Que para ela acabar depende dele próprio. Que depende do seu próprio trabalho e iniciativa, em primeiro lugar.
Como tem sido reafirmado nos nossos comícios populares e em debates nos órgãos da comunicação social e mesmo na minha página na internet, estas realizações, mesmo dentro do fórum familiar, beneficiam, em grande medida, os nossos jovens.
  • São os jovens que constituem a faixa maioritária nas nossas escolas, incluindo as profissionais e universidades.
  • São os jovens que constituem a maioria dos moçambicanos que se beneficiam dos resultados das reformas no sector público, reformas essas que atraem mais investimento, público e privado, importantes factores de geração de emprego.
  • Enfim, são os jovens que constituem a faixa etária que mais se beneficia dos resultados da nossa Agenda Nacional de Luta contra a Pobreza. Nós sabemos que as necessidades dos nossos jovens não se limitam apenas ao emprego e à habitação. São múltiplas e com os jovens, na cidade e no campo, temos estados a resolvê-los e com eles continuaremos a resolvê-los, como demonstram os resultados já obtidos da nossa parceria com a Geração da Viragem.

Compatriotas
Nestes quase 5 anos do nosso mandato, Moçambique continuou a mudar para o melhor. A FRELIMO e eu próprio ganhamos uma valiosa experiência para continuarmos a lidar com os desafios que a luta contra a pobreza impõe ao Povo Moçambicano. Reconhecemos, por isso, que há ainda muito por fazer. De igual modo, os meus concidadãos, nos comícios e nos debates públicos, ao mesmo tempo que celebram estas nossas conquistas e as suas conquistas individuais, recordam-nos ainda que há manifestações da pobreza que importa que se lhes prestem atenção.
Em sinal de que a FRELIMO e eu próprio somos vistos como o veículo que vai levar o nosso Povo a materializar essas suas aspirações, os nossos compatriotas trazem-nos propostas concretas do que devemos incluir no próximo programa quinquenal. Assim, e para honrar essa confiança, a FRELIMO e eu próprio:
  • Vamos continuar a consolidar a Unidade Nacional, a Paz e a Democracia;
  • Vamos assegurar a continuidade da luta contra a pobreza e a promoção da cultura de trabalho e a alocar os 7 milhões e a encorajar mais jovens da Geração da Viragem a descobrirem no conhecimento que detêm um recurso gerador de riqueza e de criação do seu bem-estar, um recurso que muito bem complementa o que lhes pode vir de terceiros;
  • Vamos dar continuidade à boa governação e à cultura de prestação de contas, consolidando a experiência da Presidência Aberta e Inclusiva e assegurando crescente, e cada vez mais dinâmico envolvimento do nosso Povo no processo de tomada de decisões, através dos Conselhos Consultivos e da descentralização;
  • Vamos prosseguir com acções para o reforço da nossa soberania;
  • Vamos continuar a reforçar a cooperação internacional.
Quem não sabe para onde quer ir escolhe qualquer caminho que lhe apareça pela frente. Nós sabemos para onde queremos ir. Conhecemos o caminho que para lá nos há-de levar. Nós sabemos para onde queremos levar estes 20 milhões de moçambicanos. A FRELIMO e eu próprio já demos provas de que quando prometemos cumprimos. Neste contexto e neste showmício, gostaríamos de reiterar:
  • Que todos os que têm direito, devem afluir aos locais de votação no dia 28 de Outubro;
  • Que assumam isto como a sua prioridade desse dia e se necessário, pernoitar o mais perto possível dos locais de votação ou acordar muito cedo para serem os primeiros a votar.
Votando, não passarão pela incómoda experiência de terem que se justificar perante os vossos cônjuges, filhos e outros familiares, amigos e colegas, por não terem votado. Não sofrerão, nos próximos 5 anos, com o peso da consciência, com os remorsos de não terem contribuído para que a FRELIMO e o seu Candidato atingissem percentagens de votação mais elevadas ainda.
Queremos recordar a todos os nossos compatriotas que não basta que gostem da FRELIMO e do seu Candidato, como reafirmaram aqui, para triunfarmos no dia 28 de Outubro. É preciso ir depositar o voto na urna. Votar é um acto pessoal e intransmissível.
Ninguém pode votar em nome de um outro moçambicano. Que cada moçambicano se sinta orgulhoso de exibir o seu dedo tingido com a tinta indelével e, sobretudo, por ter votado bem. Por isso, meus compatriotas, e como já nos convenceram, mesmo neste showmício, que o moçambicano gosta da Maçaroca e do Batuque, exortamos a todos e a cada vós para que, no dia 28 de Outubro:
    • Vote na FRELIMO;
    • Vote em mim, Armando Emílio Guebuza.
      • Povo Moçambicano unido do Rovuma ao Maputo Hoye!
      • População da Província de Nampula Hoye!
      • Munícipes da cidade de Nampula Hoye!
      • Província de Nampula Hoye!
Muito obrigado pela vossa atenção!